Um equilíbrio, um meio-termo,
entre a liberdade, abrangendo os desejos individuais, e as normas definidas
pela sociedade na qual se está contextualizado, é um estado presumivelmente difícil
de realizar pelo facto de a definição de liberdade variar de forma indefinida,
e de certa forma imprevisível, de um indivíduo para o próximo.
Uma forma de analisar é através da
ideia de “liberdade para” poder fazer
ou ser o que quiser (ou liberdade positiva), e “liberdade de” algo que de outro modo encarcere um indivíduo (ou liberdade
negativa), como que dois polos, lados de uma “moeda da liberdade”.
Assim, poder-se-ia observar o
caso dos dois personagens centrais da obra de Camilo Castelo Branco, “Amor de Perdição”, Simão e Teresa.
Simão
Botelho procurava liberdade para poder estar com Teresa, fazer deles o mundo. procurar
o que para ele era a felicidade. Teresa, embora com igual desejo de ser feliz
com Simão, procurava primeiro libertar-se da vontade do pai lhe impor a casar com
Baltasar, cuja resistência levou uma pena de passar o resto da vida num
convento.
Num período onde as normas
sociais prescreviam que os patriarcas da família procurassem pretendentes
adequados para a sua prole, de modo a assegurar riqueza para a próxima geração,
esta realidade entrava em conflito com o objetivo da procura de liberdade para Simão
e Teresa.
Esta busca incessante tragicamente
ajudou a levá-los à morte, não por ausência de uma visão clara do que era a liberdade
para eles, mas por esta estar fora de fase com a realidade social onde se encontravam.
Nem todas as buscas pela liberdade
individual têm de acabar em tragédia, e nem todas as definições de liberdade
cabem estes dois moldes. A verdade é que o equilíbrio entre a liberdade
individual e as normas da sociedade pode nem existir.
Mas não significa que se devamos
deixar de procurar.
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